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Estónia A realidade da participação financeira dos trabalhadores não é desconhecida por parte dos parceiros sociais na Estónia, existindo, mesmo, alguns exemplos de aplicação de alguns dos esquemas de participação financeira. É o caso das opções de compra, embora este sistema seja mais frequentemente aplicável no sector do comércio, onde se aplica colaboradores no topo (engenheiros, directores, técnico, etc.) e não na indústria. Não colocam de parte a possibilidade de compra de acções se estender a todos os trabalhadores. O Sindicato parceiro defende a aquisição de acções das empresas existindo, contudo, um obstáculo: os salários são demasiado baixos por forma a permitir ao trabalhador adquirir acções da empresa, ainda que a um preço mais acessível. É esta a razão porque tal só está ao alcance dos trabalhadores melhor pagos. Acresce, ainda, o facto de na lei estarem previstas regras segundo as quais o trabalhador só poderá vender as suas acções fora da empresa caso ninguém da empresa as pretenda adquirir. Já no que concerne à distribuição de lucros, os empregadores defendem a sua importância por entenderem que, além de aumentar a produtividade, aumentando o empenho dos trabalhadores, também aumentará a segurança no local de trabalho. Por outro lado, defendem que o lucro gerado pela empresa deverá ser investido, permitindo «apoio indirecto» aos trabalhadores, nomeadamente através de bens mais baratos e pensões mais elevadas. Para Sindicato parceiro e empregadores o mínimo aceitável será a distribuição de lucros, porque tal não significará, para os trabalhadores um risco acrescido, e para as empresas estas poderão «premiar» os trabalhadores com melhor desempenho. Quem contribuir mais para a produtividade será compensado. Quanto á possível criação de fundos de pensões, o sindicato parceiro não colocará entraves desde que tal não acarrete para o trabalhador mais um encargo, pois os salários já são demasiado baixos para permitir aos trabalhadores retirarem parte dele para o fundo. Por outro lado, tal seria interessante, para o futuro. Seria uma hipótese a considerar porque a segurança social tem um grande encargo com as pensões. Apesar de tal poder constituir um risco. Isto porque no passado foram criados muitos fundos e actualmente, como não há dinheiro, não há fundo. No que concerne à aplicação de esquemas de participação financeira através de negociação colectiva tal parece, a ambos os parceiros, algo complicado de alcançar, até porque existem muitas empresas onde a representatividade dos sindicatos é reduzida ou nula, sedo difícil encontrar parceiro para negociar. Isto no que concerne aos empregadores, que acrescentam, ainda, que tal se deve ao facto de existirem muitas pessoas que pensam que por pertencerem a um sindicato este vai decidir por elas como se passava nos tempos de ocupação soviética. Isto, principalmente, para os trabalhadores mais antigos. Já com os mais novos existe uma maior abertura ao sindicalismo, pois as lembranças antigas já estão mais esbatidas ou são quase nulas. Por outro lado, os sindicatos apostam sim, numa negociação salarial como prioridade. Podendo, eventualmente, aceitar diminuir ou não aumentar salários em troca da distribuição de lucros, por forma de evitar a deslocalização de produção para outros países. O interesse, pois, direcciona-se para a manutenção dos postos de trabalho. Relativamente aos empregadores estes defendem que a existência de legislação não influi em nada, sendo que é certo que é o mercado económico que decide. O que decide os postos de trabalho é a produtividade, qualidade e bons preços e não a legislação como acontecia na Ex União Soviética. Apesar da abertura demonstrada quanto à possível aplicação de esquemas de participação financeira, apesar de ambos os parceiros encararem essa possibilidade como interessante, tal só dever-se-á aplicar no futuro, pois actualmente a prioridade, para os sindicatos, é obterem bons aumentos salariais, enquanto que para os empregadores a sua prioridade direcciona-se para o lucro das empresas e investimento.
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